FOGO NATURAL NA ESTAÇÃO SECA E ESCLEROMORFISMO OLIGOTRÓFICO NO CERRADO.


   

            Na estação seca as plantas do cerrado convivem com o fogo que surge de forma natural nesse bioma que já cobriu 25% do território brasileiro.Além de uma privilegiada biodiversidade com mais de 12.000 espécies de plantas,muitas delas com propriedades medicinais ,o cerrado é o principal berçário de águas que alimentam a maioria das bacias hidrográficas do país.
           Após um incêndio natural, muitas plantas renascem por apresentarem adaptações para resistirem ao fogo.Entre elas está a camada externa e espessa de cortiça nos caules funcionando como excelente isolante térmico.Muitas árvores que dão a impressão de terem sido completamente destruídas pelo fogo,logo começam a brotar ramos verdes a partir de gemas que estavam protegidas pela grossa camada se cortiça.
           As raízes profundas de muitas plantas do cerrado penetram nos lençóis freáticos que podem se encontrar entre 4 a 18m de profundidade para retirarem a água que juntamente com os sais minerais constituíram a seiva bruta que será  conduzida aos outros órgãos vegetativos através dos vasos xilemáticos,portanto,mesmo que o solo na superfície esteja muito seco,as  plantas não terão carência de água.
           Também existem plantas com raízes que crescem submersas e paralelas à superfície do solo,não sendo atingidas pelo fogo que se alastra por cima.Outras, ainda,possuem caules subterrâneos especiais – os Xilopódios – ricos em gemas que brotam com facilidade após o fogo cessar.
          O fogo também estimula e induz a floração e na ausência dele muitas plantas não florescem com a mesma intensidade,ou,até mesmo, não chegam a florescer.A quantidade de flores é determinante para a atração de um grande número e uma grande diversificação de insetos polinizadores que são atraídos pelo néctar rico em açúcares.Da parede do ovário dessas flores se desenvolvem os frutos que protegem as sementes e alimentam muitos animais,alguns deles ao defecarem irão eliminar sementes desses frutos em outras áreas – endozoocoria - e portanto auxiliarão na dispersão e na perpetuação da espécie da planta espermatófita,no caso,por ter fruto, uma Angiosperma.Os brotos verdes tenros alimentam outros animais herbívoros,como por exemplo, o veado campeiro e a ema.Em plena estação seca eles encontram esse delicioso manjar na farta mesa do cerrado não maculado pela ação antrópica desmedida.
           As queimadas em rodízio e sob controle podem prevenir grandes incêndios permitindo à flora do cerrado completar o ciclo biológico de cada planta ao acelerarem a reciclagem de nutrientes minerais através da dinâmica dos ciclos biogeoquímicos no ecossistema.
              Pelo fato de muitas espécies de plantas do cerrado serem plantas herbáceas anemocorias ou seja, dispersadas pelo vento,a germinação e dispersão das sementes podem ser favorecidas pela ação do fogo,já que as palhas secas acumuladas no solo são queimadas pelo fogo e as sementes cujos frutos estão próximos à superfície são dispersadas.Além disso,muitas dessas sementes são dotadas de tegumentos impermeáveis à água que em consequência do aquecimento se rompem para que a água entre,quebre a dormência e determine a germinação da semente que se converterá na nova planta.
              As características Xeromórficas do Cerrado (na verdade, um falso xero-morfismo  não são decorrentes da falta de água,na verdade, resulta da carência de certos sais minerais,da acidez do solo e do excesso de alumínio,um metal tóxico para as plantas.A vegetação do cerrado possui árvores com galhos retorcidos,caules tortuosos com súber espesso por causa do “Escleromorfismo Oligotrófico” que pode ser entendido como “a falta de nutrientes (oligotrófico) determinando um padrão nas formas vegetais (morfo) com muita casca dura (esclero) nos caules tortuosos”. 
MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
COLUNA  TERRA SUSTENTÁVEL 
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CRISE AMBIENTAL – ESPELHO DAS MÚLTIPLAS CRISES HUMANA





            O afastamento da razão em relação ao sentimento e a desvinculação da ética em relação aos saberes da Ciência desencadearam no mundo a construção de uma sociedade marcada pela falta de sentidos existenciais. O resultado de uma educação exaustivamente técnica, porém carente de caminhos que deságuem no refinamento da sensibilidade, na capacidade de reconhecimento de que a formulação da indagação baseada no espanto e na autêntica curiosidade são as mais nobres prerrogativas para a cognição, no trabalho de descondicionamento do ser humano, ao contrário de tentar moldá-lo em conformidade com interesses ideológicos para que no futuro corresponda a esse interesses, tudo isso culminou em uma conjectura social fragmentada e marcada por aberrações e contradições.     
             O cenário global em destaque é o de uma sociedade tecnologizada, mas órfã do mágico sentimento de integração com a natureza, aumentando assustadoramente o nível de entropia na biosfera planetária, já que as atividades antrópicas desprovidas de um sentido de unificação e propósito harmonizador desencadeiam uma crescente devastação nos ecossistemas. Enquanto essa sociedade não se der conta de que a narcopolítica virulenta que infecta suas entranhas deve ser extirpada juntamente com os modelos econômicos caducos que não admitem – ou não querem admitir – que a  decantada “lei de mercado” é o combustível da “lei da entropia” acelerando a degradação ambiental revelada na poluição do ar, da água, do solo e do subsolo,a crise prosseguirá,sabe-se lá com que culminâncias.  
            Na verdade, a crise ambiental, espelha o descompasso do homem com a humanidade e da humanidade com o homem, a fuga secular, talvez milenar do homem fugindo de si mesmo e tocando o bonde da história aos trancos e barrancos na penumbra. Por isso, pede mais lucidez ao homem. Exige que ele se refaça que se desvista de sua vestimenta mental em trapos e teça para si uma vestimenta com novos tipos de tecidos apropriados a uma nova dimensão existencial. Vencê-la equivale a ser e agir, a agir e ser.


MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
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Cuidar da Terra é Investir nas Próximas Gerações


         
         A Terra com suas majestosas montanhas, vastos oceanos, florestas, desertos, campos e sua rica biodiversidade que integra os seus três biociclos da biosfera – Epinociclo, Talassociclo e Limnociclo - é indiscutivelmente uma obra magnífica.Para os Darwinistas, uma obra do acaso evolucionista,mas para os adeptos da Ciência no Primado da Consciência, um gigantesco organismo vivo autoconsciente. Nessa última versão, a magnífica biodiversidade integrada numa complexa, delicada e abrangente teia da vida com seres dotados de genomas específicos com inúmeras combinações gênicas precisas e capazes de expressar singularidades morfológicas e fisiológicas típicas de cada espécie não pode ser o resultado de meras combinações ao acaso que culminaram com o surgimento de uma espécie inteligente, no caso, o Homo sapiens, nossa espécie. Poucos se dão conta de que a gênese da inteligência, por si só ,exigiria um princípio de inteligência  pré existente,pois como poderíamos conceber a “ininteligência” do acaso sendo capaz de gerar a inteligência(?!) Não se trata de um poder autocrático, mas de uma dinâmica que de alguma forma se correlaciona com a consciência.
            Francis Collins,geneticista muito conhecido no mundo atual, após longo período de aprofundamento nas investigações sobre o Código Genético e sua operacionalidade, asseverou: “O Código Genético opera de forma muito complexa. Não pode ser algo produzido pelo acaso”. O Doutor Collins está convencido de que o modo operacional dos genes que atuam na formação das estruturas de cada célula do corpo, no funcionamento delas e também no modo operacional de integrá-las é uma programação oriunda de uma inteligência superior. Para ele o DNA é a escrita de Deus.
O renomado biólogo britânico Rupert Sheldrake, através de um trabalho de longo tempo de monitoramento do comportamento de certas espécies, concluiu que um novo comportamento que é expresso por um representante de uma espécie de símio influencia no comportamento dos outros indivíduos da mesma espécie, mesmo daqueles que estão vivendo em outros habitat, a uma longa distância e sem contato com aquele representante, ou seja, a nova aprendizagem é incorporada em todos os representantes da espécie através do que Sheldrake denominou de “ressonância morfológica”. Seu trabalho causou grande impacto na comunidade científica, pois as implicações decorrentes dos resultados obtidos apontam para a existência de um “princípio não local” atuante sobre a espécie. Algo absolutamente revolucionário que pode representar uma expansão do “Dogma Darwinista” que ainda reina soberano nas esferas ortodoxas do evolucionismo mecanicista  gestacionado no século XIX. Vale lembrar que Sheldrake é um cientista de peso que está tentando expandir o paradigma Darwinista atual para ser capaz de explicar e abarcar uma enorme gama de fenômenos biológicos, que se ocultam aos olhos de intelectos ofuscados por modelos teóricos que aprioristicamente adotam como intocáveis.
Vivemos numa época em que mais do que nunca a necessidade de resignificação da Ciência e da Religião se torna imprescindível para abalizar a busca sincera do homem que quer descobrir a verdade sobre si e sobre o meio que o cerca. Em cada homem existem inúmeros fragmentos que se rotulam alternadamente de serem o seu “eu”. Esses fragmentos, ou essa legião de “eus” produzem ações contraditórias, fomentam inveja, violência, cobiça, conflitos, guerras e divisões de todo tipo. Cada fragmento que se reveste de autoridade sobre os outros fragmentos executa sua atividade egocêntrica e separatista que inevitavelmente degrada a relação com seus semelhantes e com a natureza.
A falta de unidade e de compreensão sobre o significado da existência fez do homem um alucinado predador da biosfera. Sua infeliz inglória atual está comprometendo drasticamente as belezas e a glória de uma obra magnífica - a Terra.

MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
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O OURO AZUL VITAL PARA A BIOSFERA -(água)

           O OURO AZUL VITAL PARA A BIOSFERA
           
            Em parceria com a Universidade de Twente na Holanda a UNESCO realizou estudos sobre o volume de água que é gasto na produção de todos os bens de consumo e nos serviços existentes em 132 países do mundo. Os recursos hídricos são destinados às necessidades domésticas, produções agrícolas e produções industriais.
            No Brasil a “pegada hídrica”, que corresponde ao volume de água utilizado para produzir os bens e realizar os serviços necessários ao consumo de seus habitantes é de 1, 381 milhões de litros “per capita” ao ano. Desse total, 70.000 litros são consumidos nas necessidades domésticas, 1.155.000 são consumidos na produção agrícola, 51.000 na produção industrial e 105.000 relativos a produtos agrícolas e industriais importados.
            Considerando o ritmo de crescimento da população mundial, a estimativa da população humana para 2050 será de nove bilhões de habitantes, quase 30% a mais em relação à população atual. O grande desafio será aumentar a produção de alimentos – atividade responsável por mais de 70% da pegada hídrica da humanidade – sem aumentar o desmatamento e sem promover o acréscimo de recursos hídricos para o setor agropecuário, sobretudo, porque alterações aceleradas estão ocorrendo no ciclo hidrológico do planeta.
            A distribuição de água no globo terrestre é desuniforme. Há países ricos em reservas de água e outros com carência. O Brasil é um país privilegiado em reservas de água doce. Só o Aquífero “Alter do Chão” – recentemente dimensionado como o maior aquífero do mundo – exclusivamente brasileiro e situado nos subterrâneos da Floresta Amazônica, juntamente com o aquífero Guarani, cuja maior parte está em subsolo brasileiro totalizam mais de 120 mil km de água. Quantidade suficiente para atender todas as necessidades do povo brasileiro por milhares de anos.
            Sendo a água um bem meta individual  cabe aos gestores do patrimônio da Nação gerenciar, armazenar, tratar e impedir a poluição das reservas de água por metais pesados, poluentes industriais, agrotóxicos, esgoto humano e lixo orgânico.
            Em decorrência de mudanças no ciclo hidrológico, alguns  rios que eram perenes estão agora secando antes de chegarem ao mar. O rio Colorado, nos EUA, atualmente chega raramente ao Golfo do México. O Mar Aral – situado  na Ásia Central – está perceptivelmente menor. Desde 1985, o rio Amarelo – berço da civilização chinesa - vem secando intermitentemente. O extenso rio Nilo míngua suas águas antes de alcançar o mar mediterrâneo.
            A água, embora seja essencialmente da hidrosfera, transita entre a biosfera, atmosfera, litosfera e completa seu ciclo retornando à hidrosfera. Processos de evaporação, transpiração, precipitação, infiltração, condensação, deposição e escoamento estão envolvidos na dinâmica do ciclo hidrológico e dentro de um contexto de mudanças climáticas decorrentes da ação antrópica certas regiões ficam marcadas pela escassez de água e outras recebem  carga excedente.
             A biodiversidade da biosfera, seja no biociclo terrestre (Epinociclo), sejam nos biociclos aquáticos (Limnociclo e Talassociclo), necessita de elevadas porcentagens de água em suas células e consequentemente em seus corpos. Nos seres unicelulares ou pluricelulares, o metabolismo com suas reações de síntese e decomposição, depende essencialmente de água, pois ela é o solvente universal das soluções celulares. Produtos tóxicos em concentrações indesejáveis são eliminados do corpo através da água presente na urina ou no suor. Devido ao seu elevado calor específico a água impede mudanças bruscas de temperaturas na célula, evitando a desnaturação de proteínas especiais denominadas enzimas, moléculas imprescindíveis para que as reações ocorram em tempo ábil no corpo e com economia de energia.
            Oceanos contaminados com poluentes biocumuladores, como por exemplo, o mercúrio eliminado na baía de Minamata no Japão, são assimilados pelas algas, passam para os peixes herbívoros e carnívoros e depois são encontrados em altas dosagens nos golfinhos e em humanos que se alimentam de peixes, e infelizmente, em certos países, também de golfinhos. A doença de Minamata decorre da contaminação por mercúrio. O indivíduo apresenta  lesões no sistema nervoso central e tem paralisia dos movimentos seguidos do coma e morte. Rios e lagos que recebem dejetos humanos e lixo orgânico e industrial vão perdendo a capacidade de abrigar peixes, crustáceos, algas, moluscos e plantas aquáticas, pois, as linhas da Teia da Vida se rompem progressivamente com o aumento da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) causado pela atividade de decompositores sobre a massa crescente de cadáveres de produtores e consumidores que vão sendo envenenados pelos poluentes.A água fica fétida e atesta a falta do oxigênio vital para a comunidade do ecossistema.    
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MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
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ECOLOGIA E ESPIRITISMO


            ECOLOGIA E ESPIRITISMO



Em meados do século XIX o pedagogo Hippolyte Leon Denizard Rivail, conhecido posteriormente pelo pseudônimo de Allan Kardec, com uma visão e postura científica se interessou pelos fenômenos das mesas girantes, muito difundidos na época e que estavam tirando o sossego da Paris daquele tempo. Foi nessa ocasião, que Kardec passou então a se interessar pelo fenômeno da mediunidade, investigando-o com uma postura não tendenciosa, isenta da ansiedade e do desejo de ajustamento daqueles fenômenos a uma crença pessoal, pois ele não a possuía. Foi devido à sua postura inicialmente cética e  imparcial na avaliação de toda a fenomenologia mediúnica que investigou, que emergiu a sua condição de “Codificador do Espiritismo”.
No item XIII da introdução de o Livro dos Espíritos, está escrito, “Portanto, não nos enganemos: O estudo do espiritismo é imenso, toca em todas as questões da metafísica e da ordem social, e é todo um mundo que se abre diante de nós”. Nesse contexto a questão do analfabetismo ambiental que ainda acomete a maior parte da humanidade nesse início de século, sendo o responsável pela gigantesca crise ambiental que assola o planeta, pode realmente comprometer a integridade da biosfera – berçário da vida humana e de tantas outras espécies que são interdependentes no cenário terrestre necessário à nossa evolução.
O verdadeiro estudioso do espiritismo - que pode não ser necessariamente “espírita” - sabe que essa doutrina foi alicerçada a partir de um trabalho sistemático, altamente racional e enriquecida também com o método experimental, portanto, não se trata de mais uma seita religiosa entre tantas já produzidas ao longo dos tempos. Conjuga Ciência, Filosofia e religiosidade,mas, vai além dessas três “estrelas guias” porque coaduna plenamente  a vertical concepção da transcendência da supremacia da inteligência espiritual sobre a matéria com a horizontal aplicação da lei da caridade e da solidariedade, sem as quais aquela vertical se mostraria estéril em relação ao aperfeiçoamento do ser humano. Não corrobora com o misticismo vago e nem com a ciência concebida fora do primado da consciência.
A Ecologia ao focar o olho na biosfera da Terra vê a unidade da vida planetária, unidade evidenciada na interdependência dos fatores bióticos e abióticos, na transferência de energia nos diversos níveis tróficos, na reciclagem de matéria, que ora esta presente nos corpos dos seres vivos, ora na litosfera, hidrosfera e atmosfera planetária. O ar, a água, e a terra (elementos químicos da crosta) existentes nessa grande astronave azul que conduz sete bilhões de seres humanos, junto com tantas outras espécies que compõem a biodiversidade, se apresentam em porcentagens análogas no organismo humano  Na verdade, nossos corpos, inequivocamente, se misturam ao corpo da Terra,portanto, se ela estiver envenenada com índices alarmantes de poluentes, nossos organismos certamente também estarão.
Conceber a crise ambiental como algo natural, não vinculado às atividades antrópicas inconsequentes, fomentar essa idéia junto a população, evadir do problema com argumentos de intelectualismo raquítico, estabelecer gestões que não se fundamentam numa axiologia que prioriza a sustentabilidade e diga não à imprudência do consumismo,são posições típicas dos analfabetos em racionalidade ambiental. 
Tanto o espiritismo quanto a ecologia conseguem ver a unidade subjacente que há na vida, ainda que a vida assuma dimensões distintas sob cada lente, e quando esta unidade é compreendida e, sobretudo sentida, é capaz de fazer brotar no homem uma ética que pode fazer da Terra um lugar melhor para se viver.

O HOMEM É AQUILO QUE ELE COME

Na medida em que a consciência sobre a importância de uma alimentação saudável em nossas vidas cresce, torna-se cada vez maior a quantidade de pessoas que passam a adotar o consumo de alimentos frescos e livres de agrotóxicos, alimentos realmente saudáveis. Quando o homem maneja adequadamente o solo, a água e as sementes e plantas que resultam delas, através de práticas agrícolas coadunantes com o equilíbrio entre o Homem e o meio ambiente, está praticando a agricultura orgânica que leva em conta a integridade das culturas rurais e o aproveitamento dos recursos naturais, sociais e econômicos tendo como propósito a sustentabilidade ecológica e econômica, os benefícios para a saúde da população e a redução da dependência de energia não renovável. 

 HISTÓRICO DA AGRICULTURA ORGÂNICA A agricultura entrou no cenário da vida humana a dez mil anos e até 150 anos atrás os sistemas agrícolas estavam alicerçados em métodos e processos naturalmente (não academicamente) ecológicos. No século XIX o químico alemão Justus Von Liebig começou a fazer uso intensivo de fertilizantes químicos para nutrir as plantas com elementos minerais. Posteriormente, nas décadas de 20 e 30 do século XX, surgem os movimentos contra o uso intensivo de fertilizantes químicos na agricultura. Na Europa destacaram-se os movimentos de “agricultura biodinâmica” em 1924, “agricultura orgânica” em 1925 e “agricultura biológica em 1930. Em 1935 surge no Japão o movimento em prol da chamada “agricultura natural” proposta por Mokiti Okada e em 1938 a agricultura natural de Mossanabu Fukuoka. Na década de 50 a Revolução Verde emerge nos Estados Unidos e na Europa. Sua ressonância alcança o Brasil na década de 70. Nela predomina a concepção de que as variedades de plantas e animais mais produtivas devem prioritariamente ser desenvolvidas e cultivadas para atenderem um mercado consumidor em alto crescimento. Para se obter elevada produtividade o meio ambiente precisaria ser alterado e adaptado, o que “justificaria” a intensa mecanização, a aplicação ostensiva de corretivos e fertilizantes industriais, o controle de pragas através de agrotóxicos e o uso de hormônios e antibióticos na criação confinada de animais, práticas que expressam bem esse modo de produção. Os impactos ambientais e sociais decorrentes da explosiva Revolução Verde e o progressivo despertamento da consciência ecológica em algumas sociedades criaram ambiência favorável ao surgimento de novos movimentos rebeldes. É nesse contexto que aparece o rótulo de “produtos orgânicos” associados às diferentes linhas da agricultura orgânica que passam a ganhar o respaldo do crescente segmento da sociedade já consciente da interdependência entre homem, meio ambiente e saúde. 

 AGRICULTURA ORGÂNICA Partindo do pressuposto de que um solo com elevados níveis de matéria orgânica terá uma rica e intensa vida microbiana capaz de nutrir saudavelmente as plantas, a compostagem se apresenta como a principal característica dentre as técnicas de manejo orgânico. 





PERMACULTURA Foi idealizada pelo professor universitário australiano Bill Molison na década de 70. Após se afastar das loucuras da sociedade de consumo - segundo suas palavras - Mollison percebeu que nem os remotos cantos do interior da Austrália onde morava seriam poupados do colapso planetário iminente, pois seus estudos demonstravam que a fauna e flora estavam diminuindo sensivelmente. Em 1992, quando esteve no Brasil, Mollison afirmou que “se voltasse ao mundo social, traria uma coisa muito positiva”. Cuidar do Planeta, cuidar das pessoas, compartilhar excedentes (inclusive conhecimentos) e limitar o consumo são os princípios que norteiam a Permacultura. Ela é especialmente adequada para regiões de florestas tropicais e subtropicais, pois sua proposta é integrar os sistemas agrícola, florestal e pecuário sem intervenção no solo e sem utilização de adubação mineral.

 AGRICULTURA BIODINÂMICA Essa modalidade de agricultura orgânica parte do princípio de que a propriedade é um organismo e, portanto, propõe um trabalho que relaciona e integra solo, planta, animal, homem e universo, levando em conta as energias que envolvem e influenciam as partes e o todo. Adota um calendário agrícola baseado no movimento da Lua ao redor da Terra e emprega os chamado “preparados biodinâmicos”. Sua proposta é restaurar a harmonia entre o homem e a natureza, pois considera que o papel destinado ao homem é de ser o mediador entre o “Céu e a Terra”. Foi fundada na Alemanha em 1924 por Rudolf Steiner em resposta a um grupo de agricultores que lhe solicitou orientações para resolver os problemas de degradação ambiental. Nas palavras de Steiner “essa ciência agrícola não é um simples método; é antes um caminho, uma arte de cuidar da terra, onde cada agricultor ou jardineiro precisa desenvolver uma percepção e sensibilidade abrangentes. Com elas pode entender o que se passa na sua quinta ou jardim”. 

AGRICULTURA NATURAL Parte do pressuposto de que o homem se afastou das Leis da Natureza e por essa razão gerou o atual estado de elevada degradação ambiental. De acordo com seu fundador, Mokiti Okada, o método agrícola que negligencia a força vital do solo e as plantações naturais acarreta novas crises para a humanidade. Para ele o excesso de alimentos contaminados com agrotóxicos lançados do solo e nas plantas acarreta um aumento crescente de doenças elevando o índice de pobreza e de conflitos nas sociedades humanas. A criação de uma sociedade saudável, solidária e pacífica ocorrerá na medida em que o homem produzir e consumir alimentos sadios que concentram energia vital.







O MÁXIMO BEM ESTAR COM MÍNIMO CONSUMO - O FUTURO DA HUMANIDADE



 O consumo de produtos industrializados é altamente estimulado pelas propagandas que "martelam" a mente do consumidor,sempre criando nele novas necessidades de consumo  e gerando de forma inconsequente um grande débito ambiental que inevitavelmente acarretará carências no futuro. 

 Não há dúvida de que somos seres completamente dependentes da natureza. É só nos darmos conta de que nossos corpos estão estruturados com os elementos químicos provenientes da litosfera hidrosfera e atmosfera pertencentes ao globo terrestre.
             Inclusive, dentro da concepção quântica seria difícil estabelecer os limites entre o nosso corpo e o corpo de Gaia (planeta Terra concebido como organismo vivo). Nossos alimentos, incluindo água e gás oxigênio que necessitamos para produzir moléculas energéticas dentro de nossas células, fornecem nutrientes que são utilizados na construção de estruturas ogânicas que foram desgastadas lesadas ou destruídas.
            Há comandos moleculares precisos controlando esses processos metabólicos nas células, que, diga-se de passagem, são imprescindíveis para a que o corpo permaneça vivo.
            Carbono, oxigênio, hidrogênio, nitrogênio, fósforo, e enxofre são os principais elementos químicos que estruturam a grande maioria das moléculas orgânicas que constituem os corpos de todos os seres vivos, de uma simples bactéria que é unicelular a um complexo organismo como o do ser humano.
            Poucos de nós se dão conta de que os elementos que compõem os nossos corpos não são destruídos com a morte do corpo físico. Esses elementos voltam para Gaia (Terra) e, eventualmente, são reutilizados na formação dos corpos de outros seres vivos. Literalmente falando, cada um de nós pode ter em seu corpo átomos que estiveram no organismo de animais que inclusive já foram extintos, como por exemplo, um dinossauro que viveu a duzentos milhões de anos na era mesozóica.
            Os chamados ciclos biogeoquímicos atestam uma dinâmica de transferências de elementos químicos entre os seres vivos e destes com a litosfera, hidrosfera e atmosfera, que nada tem de aleatória.
            O equilíbrio ecológico dos ecossistemas resulta de precisas e sutis interações entre os representantes das comunidades ecológicas e os fatores abióticos (físicos e químicos).
             Nosso padrão de vida, portanto, não pode ser medido em termos de quantidade de consumo. Como se o elevado de consumo fosse sinal de grande desenvolvimento.
             O caráter excessivamente voltado ao consumismo é patológico e apocalíptico, não condiz com a consciência sistêmica emergente da soberania da ciência Ecológica sobre a economia,pois essa, na verdade é  remanescente do século XIX, portanto,descompassada desse tempo e certamente incapacitada para apontar caminhos verdadeiramente promissores que possam solucionar os problemas sócio-ambientais da atualidade.
            Evoluir para a “Racionalidade Ambiental” é desinverter valores que muitas vezes adotamos como referenciais, sem nos darmos conta de que fomos condicionados (quase ia dizendo programados) para admiti-los de forma inquestionável.
            Quanto mais a inteligência humana se envereda nos caminhos ecológicos e estuda profundamente a estrutura e a função da natureza, mais ela se espanta com sua perfeita economia que garante a sustentabilidade da biodiversidade de cada ecossistema. Das lições desses estudos é que deve emergir uma nova concepção de economia. Economia que almeje um crescimento qualificado, cujo centro das ações, seja melhorar a qualidade sócio-ambiental, promovendo o máximo de bem estar com o mínimo de consumo destrutivo.

BIODIVERSIDADE PLANETÁRIA AMEAÇADA (COMO CONTER A DRAMÁTICA EXTINÇÃO DE 10.000 ESPÉCIES POR ANO.O QUE ESTÁ OCORRENDO NA TERRA?

 O desmatamento contínuo , desordenado e irresponsável de grandes áreas da floresta gera  morte de muitos representantes da fauna e da flora e acarreta a extinção de muitas espécies que certamente contribuem para o equilíbrio de todo o bioma.

             

             As florestas devem ser preservadas não apenas porque atuam no sequestro de carbono e dessa maneira contribuem para impedir o aquecimento global, mas também porque produzem O2, protegem o solo, os mananciais de água, a fauna e a flora e possuem um patrimônio genético com enorme potencialidade para a pesquisa bioquímica e genética. Graças à Convenção das Diversidades Biológicas (CDB) assinada no Rio-92 cada país possui o direito soberano sobre a biodiversidade existente em seu território, mas possui também o dever de conservá-la e preservá-la.
            Recentemente, em Nagoia no Japão, foi estabelecido o protocolo sobre Acesso e Repartição de Benefícios dos Recursos Genéticos da Biodiversidade (ABS) que garante a proteção internacional do patrimônio ecológico de cada país.
            De acordo com o novo conceito de patenteamento proposto pela CDB em 1992, os rendimentos advindos de “princípios ativos” encontrados nas espécies da flora e da fauna devem ser divididos entre as empresas, os pesquisadores e o país detentor dessa biodiversidade. No conceito antigo e tradicional de patenteamento os direitos de comercialização de qualquer produto pertenciam àquele que primeiro os registravam nos órgãos de Registro de Patentes.
            Atualmente, as comunidades nativas detentoras de conhecimentos específicos possuem também direitos a dividir os ganhos. Se numa pesquisa de fabricação de medicamento for utilizada uma planta da flora, os nativos que possuem conhecimento sobre ela devem receber parte do lucro decorrente da  industrialização do produto. O contrabando de espécies, de uma nação para outra, passou a ser dificultado devido ao protocolo ABS. Para ter acesso aos recursos genéticos, as nações interessadas em explorar matéria prima de outra nação precisarão ter o consentimento prévio daquele país. Dessa maneira, o estímulo econômico incentiva as comunidades do país a conter a destruição da biodiversidade de seus ecossistemas. Na ausência do protocolo, os benefícios da biodiversidade não serviriam diretamente aos interesses das comunidades nativas, que por essa razão, não teriam motivação para garantir a sustentabilidade de seus recursos naturais.
            Dez mil espécies da biodiversidade planetária estão desaparecendo por ano. Após a Conferência das Partes (COP-10) em Nagoia ficou estabelecido que 17% das áreas naturais do planeta devem ser preservadas. Antes desse encontro a exigência era de 10% tanto para ecossistemas do Epinociclo (terrestres) quanto para do Talassociclo (marinhos). Infelizmente, até o momento apenas 1% dos oceanos estão sendo preservados.
 Grande quantidade de peixes mortos, verificados atualmente em muitos ecossistemas aquáticos, atestam que as condições abióticas ( fatores físico-químicos) que os sustentam estão perigosamente alteradas. 
            Alguns ecossistemas conhecidos como “hotspots” (pontos quentes) possuem grande diversidade biológica e um grande número de espécies endêmicas ameaçadas pelas atividades antrópicas. Diante da enorme perda de espécies que está ocorrendo no planeta a cada ano, o cumprimento das metas que visam conservação de áreas protegidas deve ser mais rigoroso, dentre elas: Impedir a poluição, aumentar as barreiras para a introdução de espécies exóticas e estabelecer novas áreas a serem protegidas e submetidas a programas destinados às espécies e habitat (local onde a espécie vive) vulneráveis. Conhecimentos sobre biodiversidade e ecossistemas específicos de cada país são fundamentais para que se estabeleça o adequado planejamento para êxito de tais medidas.
            Os países desenvolvidos devem mobilizar recursos financeiros para  ações da Biologia de Conservação, caso contrário, a dramática extinção em massa, dessa vez de origem antrópica  – a 6ª extinção do nosso Planeta – não poderá ser desbancada. Os países em desenvolvimento devem receber recursos financeiros para não degradarem seus ecossistemas, pois se seguirem o mesmo padrão de exploração não sustentável já verificado naqueles, as linhas da Teia da Vida que sustentam a biosfera se romperão numa velocidade superior à capacidade de restauração estabelecida pela natureza.

SÉCULO XX- UM SÉCULO DE GRANDES AVANÇOS CIENTÍFICOS E TECNOLÓGICOS E PARADOXALMENTE DE MUITA CRUELDADE.

- Um grande avanço científico e tecnológico verificado no século XX  possibilitou as construções de sofisticados computadores,poderosos telescópios e até processadores de elétrons,não obstante, a espécie humana continua estranhamente incapaz de integrar a  Ciência e a Tecnologia em favor de uma  existência humana mais plena e solidária. 

    

    Segundo as palavras do renomado e brilhante historiador Eric Hobsbawn o século XX, apesar dos extraordinários avanços científicos e tecnológicos, foi um dos mais cruéis da história da humanidade. Jamais os países ricos tiveram tantas riquezas em suas mãos e o abismo entre eles e os países pobres, na verdade, se enormizou. Quando se esperava uma redenção social através das aplicações das conquistas científicas e tecnológicas, paradoxalmente, milhões de pessoas foram vítimas de fome, doenças de carência e parasitárias, desemprego e desamparo social. A cobiça e o egocentrismo dando gênese a direitos imaginários plasmados de forma espetacular em mentes com poder de decidir em nome de certas nações determinaram um espantoso estado de disposição bélica do homem para com o próprio homem, uma disposição desintegradora que acabou culminando em muitas guerras, inclusive as duas guerras mundiais.      
            A crise fundamental que continua atingindo a humanidade não é econômica, nem social, o que se estabelece no âmbito social e econômico é apenas reflexo de uma crise na dimensão da consciência humana. O homem não holístico, ainda condicionado, identificado e deslumbrado com modelos econômicos e sociais focados na concepção neoliberal supõe que tais modelos podem regular a economia global e consequentemente o ajustamento social. Entretanto, para que a lei da oferta e demanda esteja integrada em um mercado único, as regras que certamente beneficiam os países que possuem maior poder de compra e os que possuem produtos qualificados para vender, deveriam levar em conta a realidade específica de cada nação.
            Era de se esperar que o aparato científico e tecnológico devesse contribuir para uma maior integração entre os homens, entretanto, a raiz da questão é ontológica. A crise expressa nas relações sociais é uma ressonância da turbulenta crise na dimensão da consciência humana. Se cada indivíduo parasse de reagir às pressões impostas pelas desumanas “entidades” mercantilistas que operam e ditam as regras do jogo, controlando o ser humano através das imposições econômicas  que causam dependência para a sobrevivência,  retiram-lhe a espontaneidade do viver.
             Enquanto o homem estiver comprometido com um paradigma insatisfatório e deteriorado que justifica a crise humana principalmente através de concepções econômicas e sociais, os adeptos do materialismo dialético não perceberão que a crise econômica e social, na verdade é conseqüência da deplorável falta de unidade na consciência do ser humano.
             Na verdade, a expressão “massa humana” não condiz com o real. O que existem são indivíduos, que tal como eu e você, são seres humanos que não podem ser enquadrados em modelos sistematizados por teóricos, pois são expressões inéditas da própria vida. Quando se referem à massa, esses teóricos se desvestem de humanismo, supondo que o pensamento divorciado do emocional poderá encontrar padrões estratificados para solucionarem as questões relativas ao equilíbrio social. Entretanto, até aqui, essas “fórmulas” se mostraram incompletas e, portanto, ineficazes. Mesmo nos países de primeiro mundo há grandes turbulências e insatisfações existenciais em grupos humanos economicamente bem resolvidos.
            Talvez o próprio homem que até o momento se revestiu de “lobo do próprio homem” já comece a sentir o eco da consciência dando sinais de insatisfação com sua conduta. A vida parece impulsioná-lo  rumo a experiência do “conheçe-te a ti mesmo” para que sua mente tenha a possibilidade de  operar de forma mais integrada. Segundo algumas correntes da psicologia, grande parte da humanidade atual, sem o saber, sofre de  esquizofrenia..
            O pensamento que vem norteando a postura de grande parte dos homens perante a existência se sustenta no utilitarismo e no imediatismo, pois a filosofia pragmática de John Dewey exerceu grande influência sobre a civilização ocidental. Cuidar dos valores da existência, do refinamento dos sentimentos e da ética fundamentada na continua experiência de autoconhecimento, quando não são desdenhados, são, no mínimo, atitudes torpedeadas pelos agentes do progresso imaginário.

Floresta Amazônica e Cerrado, Biomas de Valor Incalculável.


                
                  O Cerrado é um bioma com extraordinária biodiversidade.É o berçário das águas que nutrem as principais bacias hidrográficas do Brasil. 

            No momento em que o Zietgeist (espírito de uma época) está centrado na construção de uma Racionalidade Ambiental compatível com um modelo de desenvolvimento sustentável, na preservação de biomas e ecossistemas e na recuperação de áreas que foram levianamente devastadas no passado, podemos ter um retrocesso na legislação
             Não é necessário estabelecer uma sucessão ecológica direcionada para a monocultura em parte das atuais áreas de reserva legal para obter um aumento de produção de grãos que atenda a demanda do mercado consumidor. Avanços tecnológicos resultantes de investimentos no setor agrícola, se adequadamente aplicados podem garantir alta produtividade dentro dos limites territoriais estabelecidos na legislação ainda em vigor.
            Biomas como a Floresta Amazônica e o Cerrado possuem um delicado equilíbrio entre fatores bióticos e abióticos. Suas faunas e floras necessitam de “habitat” e “nichos ecológicos” diversificados para sobreviverem. O habitat pode ser comparado ao endereço da espécie e o nicho ecológico à sua profissão, ou seja, ao papel desempenhado pela espécie dentro do ecossistema. No conjunto, todas as espécies estão integradas dentro de uma grande teia com permanentes ciclos de matérias, isto é, os elementos químicos, de modo análogo a um circuito elétrico fechado, transitam do ambiente (água, solo, atmosfera), para dentro dos seres vivos e novamente para o meio ambiente, repetindo continuamente o processo.
            Interferências muito destrutivas nesses ecossistemas podem acarretar graves desequilíbrios com conseqüências desastrosas no ciclo hidrológico, no clima continental, na qualidade do solo, na dinâmica dos ventos, nos processos de polinização natural, na variedade e proliferação de pragas e nos mecanismos que garantem a sobrevivência da biodiversidade.
            Além da ciclagem de elementos químicos que ocorre em toda a biosfera, biomas como a Floresta Neotropical e o Cerrado produzem uma fantástica quantidade de biomassa orgânica a partir de suas plantas que captam energia solar, água do subsolo e gás carbônico da atmosfera.
            Mudanças no ciclo hidrológico, decorrentes dos desmatamentos e das queimadas, afetam o regime de chuvas. As interações entre a Floresta e a atmosfera são bastante complexas, entretanto, a diminuição das chuvas interfere nos estômatos, estruturas presentes nas folhas das plantas. A maior disponibilidade de água faz com que as plantas mantenham seus estômatos mais abertos, alterando a relação com a atmosfera. Como estas estruturas respondem pelas trocas gasosas entre as plantas e a atmosfera, a drástica diminuição das plantas implica em redução do seqüestro de CO², o que amplia o efeito estufa já decorrente da liberação dos gases formados a partir da combustão da biomassa.
        Ecólogos compreendem que as formações de Biomas com comunidades “Clímax”, ou seja, no mais elevado estágio de equilibrio dinâmico, como as que estão presentes na Floresta Amazônica e no Cerrado, resultam de um longo trabalho de sucessão ecológica natural ao longo de um grande período geológico. Infelizmente nem todos os representantes que decidem os destinos do País compreendem que esses biomas são biosistemas com poder de restauração dentro de um equilíbrio dinâmico, mas dentro de limites. Implicações decorrentes de decisões baseadas em percepções fragmentadas podem ser  comprometedoras para as futuras gerações. A Floresta em pé e o Cerrado preservado, se devidamente manejados, podem gerar riquezas por muito tempo.

Vírus Piratas Celulares...


       Vírus- Piratas Celulares Que Parasitam o Homem e os Demais Seres Vivos

         
 Existem diversos tipos diferentes de vírus da gripe que já ceifaram milhões de vidas humanas. Embora os vírus possam ser identificados e classificados,a ciência ainda não sabe como os vírus surgiram no nosso planeta. 
            Qual a origem dos vírus? A Ciência  não possui ainda uma resposta certeira. Por que milhões de pessoas que são parasitadas por vírus não conseguem se defender contra a pirataria virótica e morrem, enquanto outras anulam sua ação deletéria e sobrevivem?
           Os Vírus são agentes biológicos invisíveis,detectáveis apenas ao microscópio eletrônico e possuem código genético operacional somente em condições parasíticas. Não são dotados de células (acelulares).Sua organização máxima é molecular.Apesar de não possuírem metabolismo próprio, quando entram na célula se apoderam do controle metabólico dela e passam a utilizar sua maquinaria bioquímica para produzir os componentes que serão utilizados na formação de novos vírus, produzindo inclusive as chamadas enzimas de empacotamento que analogamente ao sistema de montagem de um automóvel, une as partes sintetizadas para criá-los.
            Pode-se dizer que os vírus são inegavelmente sistemas biológicos, pois ao parasitarem as células apresentam sistema de codificação genética idêntico ao das formas de vida constituídas por organização celular.
            As viroses são doenças que resultam da infecção viral que corresponde a invasão da célula pelo vírus. Em decorrência  há drásticas alterações na dinâmica metabólica da célula.Em certos casos as células passam a se dividir sem controle, dando origem a tumores, mas na maioria dos casos as células hospedeiras morrem.
            Um vírus que infecta uma célula pode ser comparado a um CD com um programa específico (software) para criar novos vírus. Esse programa seria o genoma viral. A célula seria comparada com o computador. Fora do computador o CD não é lido, analogamente, fora da célula o vírus é inerte, assemelha-se a um cristal mineral, pois sua estrutura é molecular.
            Além das viroses humanas como as Gripes, a AIDS, a dengue, o sarampo, a poliomielite a hidrofobia(raiva), a febre amarela, alguns tipos de vírus se relacionam também com o aparecimento de alguns tipos de câncer, a exemplo do HPV (papiloma vírus humano),que possui implicações no aparecimento de câncer de útero.
OS VÍRUS DA GRIPE
            Muitos tipos de vírus que podem causar gripe no ser humano estão todos no gênero Influenzavírus  Eles possuem formato esférico e apresentam um envelope constituído de lipoproteínas que envolve um conjunto de oito tipos de Ácidos Ribonucleicos(RNA) diferentes.
            Nesses envelopes existem as substâncias glicoproteicas que caracterizam os tipos de vírus. As hemaglutininas constituem as chamadas espículas H e as neuraminidases constituem as espículas N. São espículas porque quando observadas na microscopia Eletrônica se mostram como saliências bem afiladas. A famosa gripe espanhola que se configurou como uma pandemia que matou milhões de pessoas entre 1918 e 1928 foi causada pelo vírus denominado H1 N1.
            Podem ocorrer recombinações genéticas que geram vírus mais agressivos pois, considerando que há oito moléculas de RNA em cada vírus. Se  uma célula for infectada por dois tipos de vírus será possível a formação de componentes virais formados pela combinação dos RNA das duas variedades e nesse caso o sistema imunológico humano não reconhecerá esse novo vírus mutante.
            Para que novos vírus não acarretem epidemias, a  Organização Mundial de Saúde mantém uma permanente vigilância sanitária sobre os surtos de gripe. A identificação rápida de novos tipos de vírus é fundamental para que vacinas sejam produzidas antes do alastramento.
            A gripe suína que já está no Brasil e que teve um surto inicial no México em 2009, é causada por um vírus que provavelmente resultou de recombinações genéticas de vírus de  aves com vírus humanos que inicialmente infectaram o porco,e esse é hospedeiro de ambos.

RIO + 20 E EVENTOS PARALELOS


 Por conta da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, entre os dias 13 e 22 de junho o Rio esteve na mira dos olhares do mundo, por isso estava maquiado com trânsito modificado, feriado escolar e presença de seguranças por todos os lugares. Mesmo assim, as passeatas de protesto emergiam da “Cúpula dos Povos” para as ruas do Aterro do Flamengo geravam engarrafamentos que fizeram muitas pessoas perderem o vôo no aeroporto Santos Dumont.
        Enquanto os chefes de estados e de governos avaliavam o texto produzido pelo Brasil, que inicialmente possuia duzentas páginas, mas acabou ficando apenas com quarenta e nove, dois outros eventos paralelos atraíam enorme contingente de pessoas. Refiro-me à “Cúpula dos Povos” que ocorreu no Aterro do Flamengo e à “Humanidade 2012”, um conjunto de exposições que simulavam a dinâmica da civilização atual, suas implicações no meio ambiente e consequente sofrimento para a própria humanidade. Esse evento foi visitado por mais de duzentos e cinquanta mil pessoas e caso eu não tivesse uma credencial de imprensa teria de enfrentar uma fila quilométrica e levaria mais de seis horas para acessar as várias salas a serem visitadas. Esse sacrifício encarado por tantas pessoas mostra o grande interesse das pessoas em visitar a exposição.
        O evento foi concebido para destacar a importância da liderança do Brasil no debate sobre desenvolvimento sustentável. Além de uma bela exposição lúdica aberta para toda a sociedade, o evento também foi marcado por várias palestas e seminários com vista à compreensão de um modelo de desenvolvimento capaz de garantir melhores condições de vida para todos os seres que habitam a Terra.
        Após observar todas as salas de exposições, tive o sentimento de que ser sustentável é não ser sofisticado e nem simplório, é ser simples. Bia Lessa, cenógrafa e idealizadora da exposição, procurou integrar cultura, educação e tecnologia colocando tudo em sintonia com a Rio + 20. O arsenal expositivo foi composto pelas salas com as seguintes denominações: - “O mundo em que vivemos”, “Mundo dividido”, “Homem e suas conexões”, “Biodiversidade Brasileira”, “Diversidade humana brasileira”, “Produções humanas”, “Rio de Janeiro”, “Indivíduo e forças da natureza” e “Museu do amanhã”.
        Uma espécie de “Série B” da Rio + 20, a Cúpula dos Povos foi um evento marcado pela pluralidade de grupos sociais e religiosos focados na expectativa de justiça social e ambiental.
        Era de se esperar que 20 anos após a Eco-92, boa parte dos problemas econômicos, sociais e ambientais tivessem sido resolvidos, entretanto, estamos diante de uma grande crise econômica internacional, a fome aflinge um bilhão de pessoas no mundo, bizarras ideologias reacendem movimentos raciais, guerras não cessam e o planeta se contorce diante do impacto desastroso decorrente das imprevidenres atividades antrópicas.
        Não seria de se esperar que o edifício da ciência construído ao longo do século 20 e o maior assentamento e difusão das doutrinas sociais amenizasse o sofrimento humano? Os chefes de estados e de governos irão alavancar um novo paradígma integrado na racionalidade ambiental caso não haja uma forte pressão de uma sociedade civil cada vez mais consciente e mobilizada?
  ( Maurício Tovar da Rio + 20 e eventos paralelos )

Rio + 20 – “O Futuro é Agora


  

           A Rio + 20 estava morna quando a estudante neozelandesa Brittney Trilford de 17 anos foi convidada para falar perante os chefes de Estado e representantes da Sociedade Civil. A jovem não vacilou e disse às autoridades: “De forma corajosa e ousada, façam o que é certo”. “Estou aqui hoje para lutar pelo meu futuro. Quero pedir que considerem porque estão aqui. O relógio está passando”, e acrescentou: “Os senhores estão aqui para fazer bonito ou para nos salvar”. Ela foi escolhida por 350 Organizações Não Governamentais em uma seleção feita pela ONU no concurso “Encontro com a História”. Na Eco-92 a estudante canadense de 12 anos, Steven Suzuki, marcou o encontro quando disse: “Todas essas coisas acontecem bem diante dos nossos olhos e,mesmo assim,continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções”.
               O menor número de chefes de estado em comparação com a Eco-92 não deixa de expressar um sentimento de  negligência  para com a inadiável necessidade de integrar a economia com o social dentro de uma viabilidade ambiental, de modo que a sustentabilidade saia da dimensão da retórica e ingresse na dimensão da construção de uma realidade embasada na Racionalidade Ambiental e não numa distorcida racionalidade econômica que  banaliza a vida, a natureza e o próprio homem.
               A ausência do presidente Barack Obama, da chanceler alemã Angela Merkel e do 1º ministro britânico David Cameron não deixaram de representar uma perda de força para a Conferência das Nações Unidas. Vários líderes criticaram o texto final que ficou dimensionado em 49 páginas, 6 capítulos e 283 itens.Muito genérico e pouco ambicioso resume o comentário geral sobre o documento.Os capítulos que se referem a financiamentos e meios de implementações foram considerados os mais importantes.
                   Sexta feira,dia 23, o secretário Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon recebeu das mãos de 20 ativistas um documento com demandas elaboradas no evento paralelo à  Conferência das Nações Unidas,a Chamada “Cúpula dos Povos” no aterro do Flamengo.Os ativistas esperavam que o documento fosse incorporado ao texto principal,coisa que não aconteceu.
                 A verdade é que a ONU não deu nenhuma garantia de que os governos irão consolidar as decisões que foram acordadas na Rio + 20.Muitos palestrantes foram incisivos em afirmar que as mudanças climáticas estão se acelerando,pois dados científicos não deixam dúvida,e que muitos desastres ambientais podem impactar violentamente sobre a civilização ,entretanto o encontro não resultou na criação de um fundo ambiental,isso significa que teremos dificuldade em  concomitantemente desconstruir as estradas que estão conduzindo a humanidade para o caos e construirmos um legítimo caminho de sustentabilidade.Não há tempo para  primeiro criarmos um novo paradigma e depois agirmos.O argumento de que a crise econômica não permite a criação do Fundo Ambiental é uma balela.Qual prioridade é maior,continuar produzindo desmedidamente com o propósito de se obter mais e mais lucro que será revertido para restritos grupos econômicos ou estabelecer e executar imediatamente um programa de sustentabilidade em que a economia seja um instrumento em prol de benefícios sociais e da restauração e preservação dos ecossistemas?O documento final  “ O Futuro que Queremos” não condiz com os anseios da sociedade civil,pois muitos líderes nacionais e internacionais que a representam entregaram aos chefes de estado uma mensagem com o tíulo “A Rio + 20 que não queremos”  como resposta ao texto final da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.”Registramos nossa profunda decepção com os chefes de estado.A sociedade civil não compactua com esse documento.”  
O futuro é agora.

(Maurício Tovar-direto da Rio + 20 )


Autoridades governamentais e representantes da sociedade civil buscam consolidar o caminho da sustentabilidade,mas infelizmente não houve a criação do esperado fundo ambiental e o texto final reduzido de 200 páginas para 49 recebeu muitas críticas ,sobretudo quanto à generalização e falta de ambição nos propósitos