ALIMENTOS QUE PREVINEM CÂNCER

       


            Os tumores cancerígenos resultam de mutações deletérias que ocorrem na molécula de DNA e causam danos no sistema de controle das divisões celulares, denominadas mitoses. Essas divisões se encarregam de fazer a reposição de milhões de células do corpo para substituírem as que morrem diariamente, entretanto, certas alterações genéticas podem levar as células a se multiplicarem de forma desordenada. Uma célula com alguns genes adulterados, propaga erros às demais células que são formadas a partir de várias divisões sucessivas (mitoses). O resultado dessa multiplicação caótica é a formação de um amontoado de células desobedientes - o tumor. Se as células do tumor se restringem ao local onde ele se forma,o tumor é benigno, mas, se as células desobedientes passarem para a corrente sanguínea ou linfática e invadirem outros tecidos do corpo originando novos tumores, ele será considerado maligno ou câncer.
             No processo conhecido por metástase as células tumorais malignas se disseminam no corpo, colonizam outras áreas e formam novos tumores. De acordo com a teoria mais conservadora para a origem do câncer devem ocorrer de três a vinte mutações em uma sequencia definida para que uma célula normal se torne uma célula maligna. Essas alterações atingem os genes denominados “genes supressores” e “oncogenes”. Os supressores são os que determinam a produção de proteínas com capacidade de impedir a multiplicação de células que acumulam erros no código genético, uma delas é a proteína conhecida como “P53” que ativa a apoptose, processo de autodestruição da célula com DNA lesado.
            Devido à P53 o organismo deixa de formar muitos tumores cancerígenos, pois a primeira célula com erros genéticos acumulados é destruída antes que haja a produção de clones celulares com os mesmos erros.
            Os oncogenes, por sua vez, são os genes que estimulam as divisões celulares, portanto, as mutações neles podem fazer com que as células se reproduzam indefinidamente.
            Os tumores deveriam parar de crescer devido a problemas de nutrição, mas infelizmente, a maioria deles possui capacidade de induzir a formação de novos vasos sanguíneos, processo esse, conhecido como angiogênese.
          
             NUTRIENTES E ALIMENTOS QUE FAVORECEM A DEFESA DO CORPO, PREVENINDO O CÂNCER:

             1)    RESVERATROL : Atua na inibição de novos vasos sanguíneos em tumores, portanto, dificultando a difusão de células malignas.
     Alimentos:Uva, vinho, suco de uva, romã, amendoim.

         2) FIBRAS : Durante o processo digestivo, as fibras solúveis são                   fermentadas por bactérias benéficas, que produzem o ácido                           butírico, inibidor do crescimento de células malignas. Fibras                           insolúveis facilitam a digestão e assim, previnem câncer.
Alimentos: Aveia, arroz integral, trigo, lentilha e cevada (ricos em fibras insolúveis) e frutas (ricas em fibras solúveis )
         3)    LICOPENOS : São poderosos antioxidantes que atuam na                        prevenção do câncer de próstata.
Alimentos: tomate, caqui, goiaba, melancia, beterraba, pimentão vermelho, morango, pimenta vermelha, rabanete, cereja.
4 ).ISOFLAVONA :  Quando consumido por longo tempo, previne câncer de mama.
Alimentos: Soja.
5.) GINGEROL : Excelente antioxidante.
Alimentos: Gengibre.

6. CURCUMINA: Apresenta ação antiinflamatória, antioxidante e antimicrobiana.
Alimento: Curry.

7. ÔMEGA 3: Estudos sugerem que ele promove alterações na membrana plasmática das células malignas, bloqueando sinais específicos, necessários ao seu crescimento.
Salmão, sardinha, bacalhau, arenque, trufa, atum, avelã, soja, nozes, abóbora.

8. SULFORAFANO : Atua como antioxidante.
Alimentos: brócolis, repolho, couve-flor.  

       9) EPIGALOCATEQUINA  GALATO
          Quando o consumo diário for elevado, cerca de 1 a 2 litros por dia,terá           atuação no bloqueio da multiplicação de células malignas.

Alimentos: Chá verde.


MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
COLUNA  TERRA SUSTENTÁVEL 
http://www.dmdigital.com.br/ .

A DEGRADAÇÃO DA GENEROSA MÃE TERRA


A Mãe Terra é a generosa casa de todos nós humanos e dos outros reinos que também fazem parte da comunidade planetária.Entretanto,o extraordinário sentimento de se ser cidadão do planeta com livre acesso a todos os bens metaindividuais – água, ar, alimentos, belezas naturais – ainda não sobrepuja o sentimento separativista que em geral domina a mente e o coração humano.
Quando a Carta da Terra passou a ser aceita pela UNESCO a partir de 2003 após muitos anos de discussões envolvendo pessoas de universidades, centros de pesquisas, comunidades indígenas e instituições religiosas, esperava-se que esse documento com o valor de uma Declaração de Direitos Humanos pudesse assegurar a punição de todos os agressores à dignidade da Terra em qualquer lugar do mundo. Por que tanta dificuldade em tornar real o que foi idealizado nessa excepcional Carta e em tantos outros textos? Naturalmente porque há um enorme hiato entre o que um homem idealiza e fala e aquilo que de fato ele é e faz.
Considerando que os padrões que norteiam a maioria dos modos de produção e consumo no Planeta estão gerando uma gigantesca devastação ambiental e concomitantemente uma brutal extinção da biodiversidade, o que significa uma progressiva e perigosa perda da sustentabilidade planetária, é urgente, por parte das autoridades governamentais e instituições não governamentais estabelecerem as bases para a imediata criação de um Fórum Mundial Permanente com foco nas questões ambientais.Tivemos a ECO-92 e só vinte anos depois o Rio + 20.Um “foguinho na mata” só vira um incêndio se for permanentemente oxigenado.
O advento de uma nova racionalidade que insistimos em denominar de “racionalidade ambiental”,por se tratar de uma nova mentalidade não calcada na lógica positivista,mas, que leva em conta a inteligência emocional e se sustenta em uma axiologia que desbanca a terrível inversão que coloca a Ecologia em posição submissa à Economia. Na verdade,esse advento é o advento do homem novo, o homem profundamente tocado pelos sentimentos de solidariedade, primeiro com o próprio homem, e por natural compreensão, com o restante da comunidade planetária. O homem capaz de fazer aumentar a nossa dose de atenção para que possamos reconhecer os  homens de rapina que compactuam para a degradação do homem e do planeta, pois esses, geralmente estão camuflados por um tipo de ecologismo hipócrita que atua como amortecedor para  alcançarem seus nefastos objetivos. 

Uma nova dimensão de comunhão entre o homem e a Terra, compatível com a ecoviabilidade em um mundo sustentável, é algo que só pode emergir da compreensão nascida a partir da constatação da aviltante degradação que o homem – não obstante, tanta retórica, leis, documentos, etc. – fez e continua fazendo à sua generosa Mãe Terra.


MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
COLUNA  TERRA SUSTENTÁVEL 
http://www.dmdigital.com.br/ .

EL NIÑO – “O MENINO” QUE ESTÁ AFETANDO O CLIMA DO PLANETA.




            O aumento exagerado da temperatura das águas superficiais da costa oeste da América do Sul, no oceano Pacífico, denomina-se “El Nino”. Foram os pescadores peruanos que ao observarem a enorme diminuição na quantidade de peixes, sempre nos dias próximos ao natal, data comemorativa do nascimento do menino Jesus, deram ao fenômeno  o nome de “El Nino”, que traduzido do espanhol para português seria “O menino”.
             O El Nino geralmente ocorria em intervalos de 2 a 7 anos, com o ciclo se iniciando no começo de um ano e atingindo a máxima intensidade no mês de dezembro do mesmo ano para se enfraquecer na metade do segundo ano, entretanto, com as drásticas mudanças climáticas em andamento no planeta, a duração, a periodicidade e a época de ocorrência do fenômeno estão imprecisas.
            Os ventos alísios tropicais no oceano pacífico da América do Sul sopram em direção à Ásia fazendo com que as águas mais aquecidas se “empilhem” na região oeste, com isso o nível do oceano na Indonésia fica em torno de meio metro acima do nível da costa oeste da América do Sul.
            No mar da Indonésia e no norte e nordeste da Austrália a temperatura da água na superfície é cerca de oito graus centígrados acima da temperatura da água na superfície do mar na costa oeste da América do sul onde ocorrem as correntes de ressurgência que trazem as águas mais frias de níveis profundos para cima. As correntes de ressurgência ao “varrerem” o fundo do mar trazem para o plâncton na superfície um rico suprimento de nutrientes que dão ao litoral peruano uma excepcional piscosidade.
            Na ocorrência do El Nino, os ventos relaxam e em algumas áreas na faixa tropical passam a soprar em sentido inverso, ou seja, de oeste para leste, com isso, as águas mais quentes e elevadas do mar da Indonésia e da Austrália passam a se movimentar em direção à América do Sul em ondas conhecidas como “ondas de kelvin” elevando o nível do mar.
            Com o deslocamento das águas quentes para a costa oeste da América do Sul,essa fonte de calor acarreta mudanças na circulação da água e da atmosfera. O fenômeno da ressurgência cessa e as águas da superfície ficam pobres em nutrientes  causando grande mortalidade de peixes e de outros organismos da fauna marinha.O regime da chuva também é invertido, determinando a ocorrência de secas na Austrália e Indonésia e chuvas por toda  a extensão de águas quentes dessa região do pacifico até a costa oeste da América do Sul, sobretudo no Peru e no Equador.
            Todo o clima do Planeta é afetado por essas alterações. Elas provocam  em algumas regiões chuvas torrenciais e em outras áreas furacões, calor extremo, secas e vendavais.

IMPACTOS DO “EL NIÑO EM DIFERENTES REGIÕES DO BRASIL

Centro – Oeste
            Até o momento a influência do fenômeno ainda não foi bem estudada, mas os estudiosos admitem que provavelmente elevam as temperaturas médias e alteram o regime das chuvas.

Sudeste
            Na maior parte da região o El Niño tende a aumentar um pouco as temperaturas médias e a secura do ar, tornando o inverno mais ameno. Em certas regiões,no entanto, o fenômeno pode provocar até aumento das chuvas.


Nordeste
            Região muito afetada pelo El Niño, pois ele intensifica a seca nordestina. A influencia ocorre principalmente nos meses de fevereiro a maio, na estação chuvosa do semi-árido.

Norte
            Diminuição de chuvas no leste e no noroeste da Amazônia.

Sul
            Região muito afetada pelo El Nino.  Ocorre aumento da intensidade das chuvas durante a primavera no primeiro ano e no fim do outono e início do inverno do segundo ano, principalmente na faixa que vai do norte do Rio Grande do Sul até o Paraná.


MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
COLUNA  TERRA SUSTENTÁVEL 
http://www.dmdigital.com.br/ .


HIDROPONIA





Desenvolvida na Universidade da Califórnia, na década de 30, a técnica de hidroponia é usada para designar o cultivo de plantas imersas em soluções nutritivas, sem o uso de terra.
Foi durante a Segunda Guerra Mundial que a  recebeu um grande impulso e passou a ser adotada como uma excelente opção de . Esse trabalho é feito basicamente em três etapas: A primeira é a produção de mudas; a segunda, o transplante das mudas para os canais de cultivo construídos sobre bancadas, mesas ou cavaletes e a terceira etapa é a colheita.
Para proteger as plantas cultivadas  contra geadas e ataque de pragas agrícolas, utiliza-se uma cobertura de plástico que forma uma espécie de estufa.
Atualmente o cultivo hidropônico é amplamente utilizado em diversos países e os investimentos maiores estão nas instalações comerciais, na  mão de obra especializada e no consumo de energia elétrica nos sistemas automáticos.

VANTAGENS DO CULTIVO DE HIDROPONIA
-Dispensa o uso de fungicidas e inseticidas, portanto, o alimento produzido é de boa qualidade.
-Considerando que as condições de cultivo são favoráveis ao desenvolvimento das plantas, a colheita é feita em menos tempo,ou seja,o ciclo do cultivo reduzido.
-Por utilizar racionalmente os espaços, constitui uma ótima alternativa para terras improdutivas ou para pequenas áreas disponíveis.
-Baixo consumo de água, pois ela circula nos canais de cultivo e portanto, é reutilizada.
-Gera menos impacto ambiental em relação a agricultura convencional, pois não acarreta desgaste na terra.
-Economia no transporte de produtos, pois o cultivo de hidroponia geralmente está próximo dos locais de consumo.

DESVANTAGENS
-Investimento inicial maior
-Dependência de energia elétrica
-Necessidade de conhecimentos técnicos específicos.

PLANTAS CULTIVADAS POR HIDROPONIA
- Alface ( a mais cultivada )
- Brócolis
- Feijão – vagem
- Couve
 - Salsa
- Agrião
- Repolho
- Tomate
- Pepino
- Pimentão
- Morango
- Plantas ornamentais
- Berinjela.

MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
COLUNA  TERRA SUSTENTÁVEL 
http://www.dmdigital.com.br/ .

VÍRUS OS PIRATAS CELULARES QUE PARASITAM O HOMEM E OS DEMAIS SERES VIVOS




         
            Qual a origem dos vírus? A Ciência  não possui ainda uma resposta certeira. Por que milhões de pessoas que são parasitadas por vírus não conseguem se defender contra a pirataria virótica e morrem, enquanto outras anulam sua ação deletéria e sobrevivem?
           Os Vírus são agentes biológicos invisíveis,detectáveis apenas ao microscópio eletrônico e possuem código genético operacional somente em condições parasíticas. Não são dotados de células (acelulares).Sua organização máxima é molecular.Apesar de não possuírem metabolismo próprio, quando entram na célula se apoderam do controle metabólico dela e passam a utilizar sua maquinaria bioquímica para produzir os componentes que serão utilizados na formação de novos vírus, produzindo inclusive as chamadas enzimas de empacotamento que analogamente ao sistema de montagem de um automóvel, une as partes sintetizadas para criá-los.
            Pode-se dizer que os vírus são inegavelmente sistemas biológicos, pois ao parasitarem as células apresentam sistema de codificação genética idêntico ao das formas de vida constituídas por organização celular.
            As viroses são doenças que resultam da infecção viral que corresponde a invasão da célula pelo vírus. Em decorrência, há drásticas alterações na dinâmica metabólica da célula.Em certos casos as células passam a se dividir sem controle, dando origem a tumores, mas na maioria dos casos as células hospedeiras morrem.
            Um vírus que infecta uma célula pode ser comparado a um CD com um programa específico (software) para criar novos vírus. Esse programa seria o genoma viral. A célula seria comparada com o computador. Fora do computador o CD não é lido, analogamente, fora da célula o vírus é inerte, assemelha-se a um cristal mineral, pois sua estrutura é molecular.
            Além das viroses humanas como as Gripes, a AIDS, a dengue, o sarampo, a poliomielite a hidrofobia(raiva), a febre amarela, alguns tipos de vírus se relacionam também com o aparecimento de alguns tipos de câncer, a exemplo do HPV (papiloma vírus humano),que possui implicações no aparecimento de câncer de útero.
OS VÍRUS DA GRIPE

VIDA SUSTENTÁVEL-UMA MUTAÇÃO EXISTENCIAL


           



            Houve época em que os temas relacionados com a sustentabilidade apareciam na mídia, como manobra de marketing. Quando um produto agregava um certificado ou um selo que demonstrava cuidados com o meio ambiente, seu valor crescia junto aos consumidores focados na questão ambiental. Modernamente, os caminhos do desenvolvimento sustentável se alargam e a Ecologia aplicada pode até despontar como um bom negócio.
            O Brasil é o país que mais recicla latas de alumínio no mundo, o equivalente a 15 bilhões de unidades por ano, com um rendimento de mais de 380 milhões de reais. Lidera também a reciclagem de garrafas PET. São mais de 250 mil toneladas por ano com um rendimento próximo a 300 milhões de reais. Além do enorme benefício ao meio ambiente, pois todo esse material seria sucata de difícil degradação por bactérias e fungos que atuam na reciclagem de matéria, as latas de alumínio e garrafas PET recicladas representam uma desaceleração na exploração de recursos naturais – que não são ilimitados – e uma diminuição da poluição por material plástico. Além disso, a reciclagem agrega valores humanos, tanto em relação à oferta de trabalho quanto na exemplificação palpável de educação ambiental
            Os talões de cheques feitos com papel reciclado, a substituição de sacos plásticos por sacolas retornáveis ocorrendo em muitos supermercados e a valorização da extração e comercialização de madeira proveniente de manejo sustentável das florestas, evidenciam que as questões relacionadas ao impacto ambiental decorrente de atividade antrópicas são uma preocupação presente em todos os segmentos da sociedade, ainda que a consciência ecológica seja um alvo, que por enquanto, não foi alcançado pela maioria dos homens.
            Uma companhia que investe em tecnologias limpas e comprova uma diminuição significativa na emissão de gases de efeito estufa através de um certificado de crédito de carbono, pode negociar os créditos com outras empresas que necessitam reduzir suas emissões, por apresentarem débito ambiental. No mercado financeiro esses créditos de carbono possuem um valor monetário real. Na Organização das Nações Unidas, a Iniciativa pelos Princípios para o Investimento responsável (PRI), constitui uma rede de investidores comprometidos a colocar em prática alguns princípios que se relacionam à responsabilidade social, ambiental e corporativa. As duzentas maiores corporações do mundo fazem parte do conselho mundial de negócios pelo desenvolvimento sustentável. Entre elas está a Petrobrás.
            Empresas estatais ou privadas possuem filosofias de trabalho e padrões de relacionamentos que decorrem do nível de consciência de seus gestores e de seus membros em geral. A transição de uma mentalidade focada em uma economia de exploração para uma mentalidade focada em economia sustentável pressupõe uma radical mudança de referenciais de valores por parte dos indivíduos. Faz-se necessário que ocorra uma mutação na consciência de cada indivíduo, uma espécie de “ metanoia” em relação aos condicionamentos estratificação na memória. Desfocar-se do “eu” produzido pelo meio social e se perceber pensando, falando e agindo em conformidade com identificações estabelecidas na penumbra da consciência.
            A propagação de idéias sustentáveis, de suas viabilidades e até das vantagens pragmáticas, são necessárias, entretanto, o homem possui uma forte tendência de “ver” e “ouvir” apenas aquilo que vai de encontro aos seus anseios e interesses egocêntricos.
      
      Sustentabilidade se alinha com solidariedade, com distribuição de riquezas, com um novo direcionamento social e existencial. Não pode ser concebida como um novo segmento que deva se adequar a um modelo econômico fragmentado que insiste em ignorar que os patrimônios meta individuais da natureza são a fonte legítima de toda riqueza, e, portanto, devem ser o cerne de um modelo eco viável
           Em decorrência dos danos que a civilização industrial causou na biosfera, a recuperação, preservação e proteção dos ecossistemas naturais devem ser prioridades máximas na governança planetária atual.

MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
COLUNA  TERRA SUSTENTÁVEL 
http://www.dmdigital.com.br/ .

FOGO NATURAL NA ESTAÇÃO SECA E ESCLEROMORFISMO OLIGOTRÓFICO NO CERRADO.


   

            Na estação seca as plantas do cerrado convivem com o fogo que surge de forma natural nesse bioma que já cobriu 25% do território brasileiro.Além de uma privilegiada biodiversidade com mais de 12.000 espécies de plantas,muitas delas com propriedades medicinais ,o cerrado é o principal berçário de águas que alimentam a maioria das bacias hidrográficas do país.
           Após um incêndio natural, muitas plantas renascem por apresentarem adaptações para resistirem ao fogo.Entre elas está a camada externa e espessa de cortiça nos caules funcionando como excelente isolante térmico.Muitas árvores que dão a impressão de terem sido completamente destruídas pelo fogo,logo começam a brotar ramos verdes a partir de gemas que estavam protegidas pela grossa camada se cortiça.
           As raízes profundas de muitas plantas do cerrado penetram nos lençóis freáticos que podem se encontrar entre 4 a 18m de profundidade para retirarem a água que juntamente com os sais minerais constituíram a seiva bruta que será  conduzida aos outros órgãos vegetativos através dos vasos xilemáticos,portanto,mesmo que o solo na superfície esteja muito seco,as  plantas não terão carência de água.
           Também existem plantas com raízes que crescem submersas e paralelas à superfície do solo,não sendo atingidas pelo fogo que se alastra por cima.Outras, ainda,possuem caules subterrâneos especiais – os Xilopódios – ricos em gemas que brotam com facilidade após o fogo cessar.
          O fogo também estimula e induz a floração e na ausência dele muitas plantas não florescem com a mesma intensidade,ou,até mesmo, não chegam a florescer.A quantidade de flores é determinante para a atração de um grande número e uma grande diversificação de insetos polinizadores que são atraídos pelo néctar rico em açúcares.Da parede do ovário dessas flores se desenvolvem os frutos que protegem as sementes e alimentam muitos animais,alguns deles ao defecarem irão eliminar sementes desses frutos em outras áreas – endozoocoria - e portanto auxiliarão na dispersão e na perpetuação da espécie da planta espermatófita,no caso,por ter fruto, uma Angiosperma.Os brotos verdes tenros alimentam outros animais herbívoros,como por exemplo, o veado campeiro e a ema.Em plena estação seca eles encontram esse delicioso manjar na farta mesa do cerrado não maculado pela ação antrópica desmedida.
           As queimadas em rodízio e sob controle podem prevenir grandes incêndios permitindo à flora do cerrado completar o ciclo biológico de cada planta ao acelerarem a reciclagem de nutrientes minerais através da dinâmica dos ciclos biogeoquímicos no ecossistema.
              Pelo fato de muitas espécies de plantas do cerrado serem plantas herbáceas anemocorias ou seja, dispersadas pelo vento,a germinação e dispersão das sementes podem ser favorecidas pela ação do fogo,já que as palhas secas acumuladas no solo são queimadas pelo fogo e as sementes cujos frutos estão próximos à superfície são dispersadas.Além disso,muitas dessas sementes são dotadas de tegumentos impermeáveis à água que em consequência do aquecimento se rompem para que a água entre,quebre a dormência e determine a germinação da semente que se converterá na nova planta.
              As características Xeromórficas do Cerrado (na verdade, um falso xero-morfismo  não são decorrentes da falta de água,na verdade, resulta da carência de certos sais minerais,da acidez do solo e do excesso de alumínio,um metal tóxico para as plantas.A vegetação do cerrado possui árvores com galhos retorcidos,caules tortuosos com súber espesso por causa do “Escleromorfismo Oligotrófico” que pode ser entendido como “a falta de nutrientes (oligotrófico) determinando um padrão nas formas vegetais (morfo) com muita casca dura (esclero) nos caules tortuosos”. 
MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
COLUNA  TERRA SUSTENTÁVEL 
http://www.dmdigital.com.br/ .


CRISE AMBIENTAL – ESPELHO DAS MÚLTIPLAS CRISES HUMANA





            O afastamento da razão em relação ao sentimento e a desvinculação da ética em relação aos saberes da Ciência desencadearam no mundo a construção de uma sociedade marcada pela falta de sentidos existenciais. O resultado de uma educação exaustivamente técnica, porém carente de caminhos que deságuem no refinamento da sensibilidade, na capacidade de reconhecimento de que a formulação da indagação baseada no espanto e na autêntica curiosidade são as mais nobres prerrogativas para a cognição, no trabalho de descondicionamento do ser humano, ao contrário de tentar moldá-lo em conformidade com interesses ideológicos para que no futuro corresponda a esse interesses, tudo isso culminou em uma conjectura social fragmentada e marcada por aberrações e contradições.     
             O cenário global em destaque é o de uma sociedade tecnologizada, mas órfã do mágico sentimento de integração com a natureza, aumentando assustadoramente o nível de entropia na biosfera planetária, já que as atividades antrópicas desprovidas de um sentido de unificação e propósito harmonizador desencadeiam uma crescente devastação nos ecossistemas. Enquanto essa sociedade não se der conta de que a narcopolítica virulenta que infecta suas entranhas deve ser extirpada juntamente com os modelos econômicos caducos que não admitem – ou não querem admitir – que a  decantada “lei de mercado” é o combustível da “lei da entropia” acelerando a degradação ambiental revelada na poluição do ar, da água, do solo e do subsolo,a crise prosseguirá,sabe-se lá com que culminâncias.  
            Na verdade, a crise ambiental, espelha o descompasso do homem com a humanidade e da humanidade com o homem, a fuga secular, talvez milenar do homem fugindo de si mesmo e tocando o bonde da história aos trancos e barrancos na penumbra. Por isso, pede mais lucidez ao homem. Exige que ele se refaça que se desvista de sua vestimenta mental em trapos e teça para si uma vestimenta com novos tipos de tecidos apropriados a uma nova dimensão existencial. Vencê-la equivale a ser e agir, a agir e ser.


MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
COLUNA  TERRA SUSTENTÁVEL 
http://www.dmdigital.com.br/ .

Cuidar da Terra é Investir nas Próximas Gerações


         
         A Terra com suas majestosas montanhas, vastos oceanos, florestas, desertos, campos e sua rica biodiversidade que integra os seus três biociclos da biosfera – Epinociclo, Talassociclo e Limnociclo - é indiscutivelmente uma obra magnífica.Para os Darwinistas, uma obra do acaso evolucionista,mas para os adeptos da Ciência no Primado da Consciência, um gigantesco organismo vivo autoconsciente. Nessa última versão, a magnífica biodiversidade integrada numa complexa, delicada e abrangente teia da vida com seres dotados de genomas específicos com inúmeras combinações gênicas precisas e capazes de expressar singularidades morfológicas e fisiológicas típicas de cada espécie não pode ser o resultado de meras combinações ao acaso que culminaram com o surgimento de uma espécie inteligente, no caso, o Homo sapiens, nossa espécie. Poucos se dão conta de que a gênese da inteligência, por si só ,exigiria um princípio de inteligência  pré existente,pois como poderíamos conceber a “ininteligência” do acaso sendo capaz de gerar a inteligência(?!) Não se trata de um poder autocrático, mas de uma dinâmica que de alguma forma se correlaciona com a consciência.
            Francis Collins,geneticista muito conhecido no mundo atual, após longo período de aprofundamento nas investigações sobre o Código Genético e sua operacionalidade, asseverou: “O Código Genético opera de forma muito complexa. Não pode ser algo produzido pelo acaso”. O Doutor Collins está convencido de que o modo operacional dos genes que atuam na formação das estruturas de cada célula do corpo, no funcionamento delas e também no modo operacional de integrá-las é uma programação oriunda de uma inteligência superior. Para ele o DNA é a escrita de Deus.
O renomado biólogo britânico Rupert Sheldrake, através de um trabalho de longo tempo de monitoramento do comportamento de certas espécies, concluiu que um novo comportamento que é expresso por um representante de uma espécie de símio influencia no comportamento dos outros indivíduos da mesma espécie, mesmo daqueles que estão vivendo em outros habitat, a uma longa distância e sem contato com aquele representante, ou seja, a nova aprendizagem é incorporada em todos os representantes da espécie através do que Sheldrake denominou de “ressonância morfológica”. Seu trabalho causou grande impacto na comunidade científica, pois as implicações decorrentes dos resultados obtidos apontam para a existência de um “princípio não local” atuante sobre a espécie. Algo absolutamente revolucionário que pode representar uma expansão do “Dogma Darwinista” que ainda reina soberano nas esferas ortodoxas do evolucionismo mecanicista  gestacionado no século XIX. Vale lembrar que Sheldrake é um cientista de peso que está tentando expandir o paradigma Darwinista atual para ser capaz de explicar e abarcar uma enorme gama de fenômenos biológicos, que se ocultam aos olhos de intelectos ofuscados por modelos teóricos que aprioristicamente adotam como intocáveis.
Vivemos numa época em que mais do que nunca a necessidade de resignificação da Ciência e da Religião se torna imprescindível para abalizar a busca sincera do homem que quer descobrir a verdade sobre si e sobre o meio que o cerca. Em cada homem existem inúmeros fragmentos que se rotulam alternadamente de serem o seu “eu”. Esses fragmentos, ou essa legião de “eus” produzem ações contraditórias, fomentam inveja, violência, cobiça, conflitos, guerras e divisões de todo tipo. Cada fragmento que se reveste de autoridade sobre os outros fragmentos executa sua atividade egocêntrica e separatista que inevitavelmente degrada a relação com seus semelhantes e com a natureza.
A falta de unidade e de compreensão sobre o significado da existência fez do homem um alucinado predador da biosfera. Sua infeliz inglória atual está comprometendo drasticamente as belezas e a glória de uma obra magnífica - a Terra.

MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
COLUNA  TERRA SUSTENTÁVEL 
http://www.dmdigital.com.br/ .

O OURO AZUL VITAL PARA A BIOSFERA -(água)

           O OURO AZUL VITAL PARA A BIOSFERA
           
            Em parceria com a Universidade de Twente na Holanda a UNESCO realizou estudos sobre o volume de água que é gasto na produção de todos os bens de consumo e nos serviços existentes em 132 países do mundo. Os recursos hídricos são destinados às necessidades domésticas, produções agrícolas e produções industriais.
            No Brasil a “pegada hídrica”, que corresponde ao volume de água utilizado para produzir os bens e realizar os serviços necessários ao consumo de seus habitantes é de 1, 381 milhões de litros “per capita” ao ano. Desse total, 70.000 litros são consumidos nas necessidades domésticas, 1.155.000 são consumidos na produção agrícola, 51.000 na produção industrial e 105.000 relativos a produtos agrícolas e industriais importados.
            Considerando o ritmo de crescimento da população mundial, a estimativa da população humana para 2050 será de nove bilhões de habitantes, quase 30% a mais em relação à população atual. O grande desafio será aumentar a produção de alimentos – atividade responsável por mais de 70% da pegada hídrica da humanidade – sem aumentar o desmatamento e sem promover o acréscimo de recursos hídricos para o setor agropecuário, sobretudo, porque alterações aceleradas estão ocorrendo no ciclo hidrológico do planeta.
            A distribuição de água no globo terrestre é desuniforme. Há países ricos em reservas de água e outros com carência. O Brasil é um país privilegiado em reservas de água doce. Só o Aquífero “Alter do Chão” – recentemente dimensionado como o maior aquífero do mundo – exclusivamente brasileiro e situado nos subterrâneos da Floresta Amazônica, juntamente com o aquífero Guarani, cuja maior parte está em subsolo brasileiro totalizam mais de 120 mil km de água. Quantidade suficiente para atender todas as necessidades do povo brasileiro por milhares de anos.
            Sendo a água um bem meta individual  cabe aos gestores do patrimônio da Nação gerenciar, armazenar, tratar e impedir a poluição das reservas de água por metais pesados, poluentes industriais, agrotóxicos, esgoto humano e lixo orgânico.
            Em decorrência de mudanças no ciclo hidrológico, alguns  rios que eram perenes estão agora secando antes de chegarem ao mar. O rio Colorado, nos EUA, atualmente chega raramente ao Golfo do México. O Mar Aral – situado  na Ásia Central – está perceptivelmente menor. Desde 1985, o rio Amarelo – berço da civilização chinesa - vem secando intermitentemente. O extenso rio Nilo míngua suas águas antes de alcançar o mar mediterrâneo.
            A água, embora seja essencialmente da hidrosfera, transita entre a biosfera, atmosfera, litosfera e completa seu ciclo retornando à hidrosfera. Processos de evaporação, transpiração, precipitação, infiltração, condensação, deposição e escoamento estão envolvidos na dinâmica do ciclo hidrológico e dentro de um contexto de mudanças climáticas decorrentes da ação antrópica certas regiões ficam marcadas pela escassez de água e outras recebem  carga excedente.
             A biodiversidade da biosfera, seja no biociclo terrestre (Epinociclo), sejam nos biociclos aquáticos (Limnociclo e Talassociclo), necessita de elevadas porcentagens de água em suas células e consequentemente em seus corpos. Nos seres unicelulares ou pluricelulares, o metabolismo com suas reações de síntese e decomposição, depende essencialmente de água, pois ela é o solvente universal das soluções celulares. Produtos tóxicos em concentrações indesejáveis são eliminados do corpo através da água presente na urina ou no suor. Devido ao seu elevado calor específico a água impede mudanças bruscas de temperaturas na célula, evitando a desnaturação de proteínas especiais denominadas enzimas, moléculas imprescindíveis para que as reações ocorram em tempo ábil no corpo e com economia de energia.
            Oceanos contaminados com poluentes biocumuladores, como por exemplo, o mercúrio eliminado na baía de Minamata no Japão, são assimilados pelas algas, passam para os peixes herbívoros e carnívoros e depois são encontrados em altas dosagens nos golfinhos e em humanos que se alimentam de peixes, e infelizmente, em certos países, também de golfinhos. A doença de Minamata decorre da contaminação por mercúrio. O indivíduo apresenta  lesões no sistema nervoso central e tem paralisia dos movimentos seguidos do coma e morte. Rios e lagos que recebem dejetos humanos e lixo orgânico e industrial vão perdendo a capacidade de abrigar peixes, crustáceos, algas, moluscos e plantas aquáticas, pois, as linhas da Teia da Vida se rompem progressivamente com o aumento da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) causado pela atividade de decompositores sobre a massa crescente de cadáveres de produtores e consumidores que vão sendo envenenados pelos poluentes.A água fica fétida e atesta a falta do oxigênio vital para a comunidade do ecossistema.    
            .

MAURÍCIO TOVAR
MATÉRIA DO JORNAL DIÁRIO DA MANHà
COLUNA  TERRA SUSTENTÁVEL 
http://www.dmdigital.com.br/ .

       

ECOLOGIA E ESPIRITISMO


            ECOLOGIA E ESPIRITISMO



Em meados do século XIX o pedagogo Hippolyte Leon Denizard Rivail, conhecido posteriormente pelo pseudônimo de Allan Kardec, com uma visão e postura científica se interessou pelos fenômenos das mesas girantes, muito difundidos na época e que estavam tirando o sossego da Paris daquele tempo. Foi nessa ocasião, que Kardec passou então a se interessar pelo fenômeno da mediunidade, investigando-o com uma postura não tendenciosa, isenta da ansiedade e do desejo de ajustamento daqueles fenômenos a uma crença pessoal, pois ele não a possuía. Foi devido à sua postura inicialmente cética e  imparcial na avaliação de toda a fenomenologia mediúnica que investigou, que emergiu a sua condição de “Codificador do Espiritismo”.
No item XIII da introdução de o Livro dos Espíritos, está escrito, “Portanto, não nos enganemos: O estudo do espiritismo é imenso, toca em todas as questões da metafísica e da ordem social, e é todo um mundo que se abre diante de nós”. Nesse contexto a questão do analfabetismo ambiental que ainda acomete a maior parte da humanidade nesse início de século, sendo o responsável pela gigantesca crise ambiental que assola o planeta, pode realmente comprometer a integridade da biosfera – berçário da vida humana e de tantas outras espécies que são interdependentes no cenário terrestre necessário à nossa evolução.
O verdadeiro estudioso do espiritismo - que pode não ser necessariamente “espírita” - sabe que essa doutrina foi alicerçada a partir de um trabalho sistemático, altamente racional e enriquecida também com o método experimental, portanto, não se trata de mais uma seita religiosa entre tantas já produzidas ao longo dos tempos. Conjuga Ciência, Filosofia e religiosidade,mas, vai além dessas três “estrelas guias” porque coaduna plenamente  a vertical concepção da transcendência da supremacia da inteligência espiritual sobre a matéria com a horizontal aplicação da lei da caridade e da solidariedade, sem as quais aquela vertical se mostraria estéril em relação ao aperfeiçoamento do ser humano. Não corrobora com o misticismo vago e nem com a ciência concebida fora do primado da consciência.
A Ecologia ao focar o olho na biosfera da Terra vê a unidade da vida planetária, unidade evidenciada na interdependência dos fatores bióticos e abióticos, na transferência de energia nos diversos níveis tróficos, na reciclagem de matéria, que ora esta presente nos corpos dos seres vivos, ora na litosfera, hidrosfera e atmosfera planetária. O ar, a água, e a terra (elementos químicos da crosta) existentes nessa grande astronave azul que conduz sete bilhões de seres humanos, junto com tantas outras espécies que compõem a biodiversidade, se apresentam em porcentagens análogas no organismo humano  Na verdade, nossos corpos, inequivocamente, se misturam ao corpo da Terra,portanto, se ela estiver envenenada com índices alarmantes de poluentes, nossos organismos certamente também estarão.
Conceber a crise ambiental como algo natural, não vinculado às atividades antrópicas inconsequentes, fomentar essa idéia junto a população, evadir do problema com argumentos de intelectualismo raquítico, estabelecer gestões que não se fundamentam numa axiologia que prioriza a sustentabilidade e diga não à imprudência do consumismo,são posições típicas dos analfabetos em racionalidade ambiental. 
Tanto o espiritismo quanto a ecologia conseguem ver a unidade subjacente que há na vida, ainda que a vida assuma dimensões distintas sob cada lente, e quando esta unidade é compreendida e, sobretudo sentida, é capaz de fazer brotar no homem uma ética que pode fazer da Terra um lugar melhor para se viver.

O HOMEM É AQUILO QUE ELE COME

Na medida em que a consciência sobre a importância de uma alimentação saudável em nossas vidas cresce, torna-se cada vez maior a quantidade de pessoas que passam a adotar o consumo de alimentos frescos e livres de agrotóxicos, alimentos realmente saudáveis. Quando o homem maneja adequadamente o solo, a água e as sementes e plantas que resultam delas, através de práticas agrícolas coadunantes com o equilíbrio entre o Homem e o meio ambiente, está praticando a agricultura orgânica que leva em conta a integridade das culturas rurais e o aproveitamento dos recursos naturais, sociais e econômicos tendo como propósito a sustentabilidade ecológica e econômica, os benefícios para a saúde da população e a redução da dependência de energia não renovável. 

 HISTÓRICO DA AGRICULTURA ORGÂNICA A agricultura entrou no cenário da vida humana a dez mil anos e até 150 anos atrás os sistemas agrícolas estavam alicerçados em métodos e processos naturalmente (não academicamente) ecológicos. No século XIX o químico alemão Justus Von Liebig começou a fazer uso intensivo de fertilizantes químicos para nutrir as plantas com elementos minerais. Posteriormente, nas décadas de 20 e 30 do século XX, surgem os movimentos contra o uso intensivo de fertilizantes químicos na agricultura. Na Europa destacaram-se os movimentos de “agricultura biodinâmica” em 1924, “agricultura orgânica” em 1925 e “agricultura biológica em 1930. Em 1935 surge no Japão o movimento em prol da chamada “agricultura natural” proposta por Mokiti Okada e em 1938 a agricultura natural de Mossanabu Fukuoka. Na década de 50 a Revolução Verde emerge nos Estados Unidos e na Europa. Sua ressonância alcança o Brasil na década de 70. Nela predomina a concepção de que as variedades de plantas e animais mais produtivas devem prioritariamente ser desenvolvidas e cultivadas para atenderem um mercado consumidor em alto crescimento. Para se obter elevada produtividade o meio ambiente precisaria ser alterado e adaptado, o que “justificaria” a intensa mecanização, a aplicação ostensiva de corretivos e fertilizantes industriais, o controle de pragas através de agrotóxicos e o uso de hormônios e antibióticos na criação confinada de animais, práticas que expressam bem esse modo de produção. Os impactos ambientais e sociais decorrentes da explosiva Revolução Verde e o progressivo despertamento da consciência ecológica em algumas sociedades criaram ambiência favorável ao surgimento de novos movimentos rebeldes. É nesse contexto que aparece o rótulo de “produtos orgânicos” associados às diferentes linhas da agricultura orgânica que passam a ganhar o respaldo do crescente segmento da sociedade já consciente da interdependência entre homem, meio ambiente e saúde. 

 AGRICULTURA ORGÂNICA Partindo do pressuposto de que um solo com elevados níveis de matéria orgânica terá uma rica e intensa vida microbiana capaz de nutrir saudavelmente as plantas, a compostagem se apresenta como a principal característica dentre as técnicas de manejo orgânico. 





PERMACULTURA Foi idealizada pelo professor universitário australiano Bill Molison na década de 70. Após se afastar das loucuras da sociedade de consumo - segundo suas palavras - Mollison percebeu que nem os remotos cantos do interior da Austrália onde morava seriam poupados do colapso planetário iminente, pois seus estudos demonstravam que a fauna e flora estavam diminuindo sensivelmente. Em 1992, quando esteve no Brasil, Mollison afirmou que “se voltasse ao mundo social, traria uma coisa muito positiva”. Cuidar do Planeta, cuidar das pessoas, compartilhar excedentes (inclusive conhecimentos) e limitar o consumo são os princípios que norteiam a Permacultura. Ela é especialmente adequada para regiões de florestas tropicais e subtropicais, pois sua proposta é integrar os sistemas agrícola, florestal e pecuário sem intervenção no solo e sem utilização de adubação mineral.

 AGRICULTURA BIODINÂMICA Essa modalidade de agricultura orgânica parte do princípio de que a propriedade é um organismo e, portanto, propõe um trabalho que relaciona e integra solo, planta, animal, homem e universo, levando em conta as energias que envolvem e influenciam as partes e o todo. Adota um calendário agrícola baseado no movimento da Lua ao redor da Terra e emprega os chamado “preparados biodinâmicos”. Sua proposta é restaurar a harmonia entre o homem e a natureza, pois considera que o papel destinado ao homem é de ser o mediador entre o “Céu e a Terra”. Foi fundada na Alemanha em 1924 por Rudolf Steiner em resposta a um grupo de agricultores que lhe solicitou orientações para resolver os problemas de degradação ambiental. Nas palavras de Steiner “essa ciência agrícola não é um simples método; é antes um caminho, uma arte de cuidar da terra, onde cada agricultor ou jardineiro precisa desenvolver uma percepção e sensibilidade abrangentes. Com elas pode entender o que se passa na sua quinta ou jardim”. 

AGRICULTURA NATURAL Parte do pressuposto de que o homem se afastou das Leis da Natureza e por essa razão gerou o atual estado de elevada degradação ambiental. De acordo com seu fundador, Mokiti Okada, o método agrícola que negligencia a força vital do solo e as plantações naturais acarreta novas crises para a humanidade. Para ele o excesso de alimentos contaminados com agrotóxicos lançados do solo e nas plantas acarreta um aumento crescente de doenças elevando o índice de pobreza e de conflitos nas sociedades humanas. A criação de uma sociedade saudável, solidária e pacífica ocorrerá na medida em que o homem produzir e consumir alimentos sadios que concentram energia vital.